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Editorial

 

Sócrates e a “Tragédia”

Desde a Grécia antiga que Sócrates está relacionado com a Tragédia.

Contradizendo-a ? Sim, mas relacionado (Nietzsche não lhe perdoa o racionalismo).

Em tempos, curtos porque a velocidade a que ocorrem os sucessos nacionais é elevadíssima, pude escrever (o texto deve andar por aí) que Sócrates (o José) começou por ser, porventura, o melhor Primeiro Ministro português desde há muitas dezenas de anos, e no entanto arriscava-se a ficar para a história como o pior deles todos.

Ao fim destes 2 anos posso analisar “a coisa” entrando em consideração com uma quantidade de informação muito maior, pois todos os sucessos dos últimos anos nem sequer eram previsíveis na época daquelas considerações.

Com o conhecimento atual posso regressar, agora com muito mais à vontade, à tese de que José Sócrates foi no seu início, o melhor Primeiro Ministro dos governos de Portugal, pelo menos desde 1974 e, definitivamente, não se arrisca a ficar na história como o pior deles todos.

Convém dar algumas razões porque afirmar sem razão seria, certamente, a coisa mais anti-Socrática (o outro) que poderia fazer.

1 – José Sócrates quando iniciou funções como Primeiro Ministro mostrou que na sua preocupação central estava o futuro do País encarando como eixos de desenvolvimento a educação/cultura e a preocupação com a chamada 3ªidade (os seniores como se diz por aí, também).

E esses são, indiscutivelmente quanto a nós, os verdadeiros eixos do desenvolvimento de qualquer sociedade que os seus governantes com visão alargada tem de seguir.

Ensinar os novos, cuidar dos velhos !

E foi isso que Sócrates fez durante 4 anos, através de iniciativas de visão bem larga, como a abertura do acesso de todos (desde logo dos mais jovens) à ferramenta computador (“Magalhães” e “e-escola”), e a formação para adultos com “As Novas Oportunidades”, incluindo de forma bem incisiva, também, o acesso às TI’s para 3ª idade e o Inglês generalizado logo no ensino básico.

A este propósito não esquecemos o “abrir de olhos” que fez ao diretor-geral de uma das maiores empresas de TI’s que operam em Portugal, quando inaugurou a Loja do Cidadão em Odivelas, pormenor que passou ao lado da história desta inauguração mas que ficou registada em som e imagem.

Sócrates (o José) teve depois dos primeiros 4 anos a deriva para a asneira. Ou excesso de entusiasmo, ou excesso de carreirismo, ou excesso de “boyismo” !

2 – A 2ª parte, porque é que afinal não acaba como sendo o pior ?

Esta é óbvia! Porque a seguir apareceu o par “Passos Coelho/Paulo Portas” que bate todos os records de incompetência e demagogia.

Um antigo Presidente da AR diria destes “Primeiro Ministro”: – Curiosa coligação…

A atual Presidente da AR dirá que são uns “inconseguidos”…

Se José Sócrates é um racional (já o outro era), os “atual Primeiro Ministro” são representantes plenos da tragédia, neste caso e para mal nosso, da tragédia portuguesa clonada diretamente da tragédia grega, da qual importaram, um a um, todos os elementos que a definem:

– Seriedade – não, não é a seriedade moral (essa não existe), é a rigidez da máscara. Basta olhar as caras de pau com que aparecem na fotografia;

– Dignidade – essa apenas existe no cenário, nada mais;

– Sociedade – claro, é o elemento participante mais numeroso e importante, sendo o início e o fim do espetáculo. Incluindo a terrível catarse do espectador, que no caso da tragédia portuguesa, intervém diretamente escolhendo os artistas (neste caso escolhendo os seus próprios algozes) e pagando um bilhete caríssimo pelo sofrimento no espetáculo. Na Grécia antiga, pelo menos as entradas eram de borla.

São umas portuguesíssimas “dionísias urbanas” encenadas e realizadas por esta simpática coligação.

Quanto a nós, entendemos que se trata de uma questão de justiça elementar confrontar estes “deuses” (gregos ?), que agora dizem governar Portugal, com os “diabos” que governaram antes deles.

E quanto ao futuro…: – Mal por mal, antes Pombal !

Pois que venha um “Pombal”. Não será certamente pior do que os “Vasconcelos” que temos agora. Até porque não haverá nenhum D.José a protegê-lo, e por outro lado terá muitas “D.Maria” e dar-lhe cabo do canastro. Vai mesmo ter que se fazer à vida.

Junho/2014

J.P.Setúbal