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Benelli 750 “Sei”: O sonho dos motociclistas da década de 70’

Junho 29th, 2017 | by José Maria Pignatelli
Benelli 750 “Sei”: O sonho dos motociclistas da década de 70’
Motores
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A Moto Benelli que ocultou a Honda CB 750 de quatro cilindros

Entre os apaixonados dos veículos motorizados, há mitos que jamais se desfazem: ouvir pronunciar “seis cilindros”, “oito cilindros” ou “doze cilindros” prende a atenção de imediato. Nos anos 60’ e 70’ despertava ainda maior curiosidade. A construção de grandes motores e de cilindradas elevadas tinha colapsado com o desfecho da II Grande Guerra: Impuseram-se medidas economicistas, sobretudo na área do consumo energético quer no ciclo industrial quer já no âmbito da circulação dos veículos, em particular no continente europeu e no extremo Oriente.

Em 1972, surge um dos motociclos mais belos da história: A Benelli 750 Sei, precisamente com seis cilindros em linha para rivalizar com a concorrência japonesa que envergava motores de 4 cilindros em linha, como a famosa Honda CB 750. Ostentava 3 escapes de cada lado, por via da opção de evasão individual de cada cilindro. Mas foi precisamente esse detalhe muito bem desenhado pelos atelier Ghia e Vignale que a tornou num dos mais belos exemplares de sempre no panorama do motociclismo mundial.

Este modelo da Benelli foi o resultado da absorção então pela famosa construtora automóvel Ítalo-argentina De Tomaso que viria a lançar o conceito que perdura ainda hoje (após um interregno): produção de motociclos excecionais do ponto de vista tecnológico, do equipamento, da qualidade dos materiais e do design.

A Benelli 750 Sei revolucionou o mercado e tornou-se num dos motociclos de maior aspiração dos europeus da década de 70’. Em Portugal esta epidemia aconteceria sobretudo pós-25 de Abril, em particular depois de 1975, a partir de Fevereiro de 1976. A rivalidade japonesa impunha-se pelo preço.

O motor desta Benelli – construída sempre em Pesaro – resultou da junção de seis pequenos cilindros de 125 cm3 cada, e debitava 76 cavalos sobre as 9.000 rpm, o que nem sequer era muito superior à potência anunciada pela “Honda CB 750 Four”. Mas o pioneirismo da Benelli ficou inteiramente justificado pelo torque de 7 m.Kgf às 6.850 rpm, de uma generosidade indubitável. O motor era alimentado por 3 carburadores duplos Dell’Orto, possuía uma caixa de velocidades de cinco marchas e motor de arranque elétrico. Foi dos primeiros motociclos a dispor de um circuito de travagem de duplo disco na roda dianteira da marca Brembo de 300 mm.

Esta moto Benelli pesava 220 kg e conseguia atingir uma velocidade máxima estável de 200 km/h e o motor não ultrapassava a largura habitual das pernas do piloto o que resultou num comprimento de 80 cm à altura do virabrequim.

 

Marca com vida nova

A marca italiana – que nasceu em 1911, em Pesaro – passou por uma espécie de interregno, voltando a sobressair em 2002, com o lançamento de uma super desportiva, a Tornado 900 Tre. Em 2005, a marca foi adquirida pelo grupo Qianjiang, no propósito de a tornar numa das duas marcas europeias de maior referência ao nível mundial, ombreando principalmente com a rival Ducati, um dos mais importantes fabricantes no domínio da tecnologia.

O projeto mantem-se: produzir motociclos de qualidade elevada, com tecnologia de ponta e outros argumentos ainda distantes da indústria. Hoje, a marca produz scooters, motos ‘naked’ e ‘off-road’. Presentemente, os modelos de maior destaque encontram-se equipados com motores de 3 cilindros a 4 tempos, de 899 cm3 (a TNT 899) e de 1130 cm3 (o modelo CafeRacer 1130) – José Maria Pignatelli

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