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2CV: A REVOLUÇÃO FRANCESA DE PIERRE BOULANGER

Junho 29th, 2017 | by José Maria Pignatelli
2CV: A REVOLUÇÃO FRANCESA  DE PIERRE BOULANGER
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PENSADO PARA O MEIO RURAL ACABOU NUM FENÓMENO URBANO ÍMPAR

Simplicidade em tudo de modo a conseguir-se um carro barato, económico que transportasse os habitantes das regiões mais agrícolas do interior da França que se desenvolvia no início dos ‘Anos 30’ do século passado. Importava conseguir um chassis com um motor simples pequeno e quatro rodas, tudo por baixo de uma espécie de chapéu que protegesse os ocupantes.

O Citroen 2 CV nasceu por ideia do director-geral Pierre Boulanger que pretendeu transformar os agricultores franceses em clientes da marca: Oferecer um novo meio de transporte aos agricultores que se deslocavam em veículos de tracção animal. O propósito foi idealizado em 1936, mas a guerra mundial acabaria por atirar a produção em série para 1948. E o “2 CV” acabaria por ser produzido durante 42 anos, precisamente até 1990. Um verdadeiro fenómeno de vitalidade na indústria automóvel. O modelo tornou-se num culto e continua a motivar alguns dos mais singulares clubes de marcas automóveis em toda a Europa.

Foi um caderno de encargos com as ideias mais sucintas que algum dia se podiam imaginar na indústria que fez nascer o 2 CV: Fabricar um carro que fosse capaz de substituir a carroça; que conseguisse transportar um cesto de ovos num campo de terra sulcada sem que nenhum se quebrasse; que fosse capaz de transportar uma pessoa alta de chapéu; que fosse confortável nas estradas mais irregulares, barato, fácil de manter e económico. 

Assim aconteceu. Um veículo simples, mas tecnicamente revolucionário: Tracção dianteira; suspensões independentes às quatro rodas; motor de dois cilindros refrigerado a ar para ser fácil de manter: tejadilho em lona; janelas laterais fixas com portinholas para arejamento e bancos do tipo “deckchair”, para poderem ser retirados, aumentando o volume de carga ou simplesmente servirem de assento fora do veículo.

O Citroen 2 CV começou a ser comercializado com motor de 375 cm3 com 18 cavalos (experimentalmente teve apenas 8 cavalos e um mecanismo de arranque por manivela), acabando com uma variante de 602 cm3 com 29 cavalos. Em qualquer uma das circunstâncias era alimentado por um carburador simples invertido.

O 2 CV começou por pesar 490 quilos e a ser capaz de atingir os 60 Km/h. O peso acabaria por ser aumentado para os 585 quilos, muito pelo entusiasmo do modelo se ter tornado num fenómeno urbano a partir do final da década de 60, em muitos países europeus. Nessa altura, por força do aumento do volume e potência do motor, a velocidade máxima passou a ser de 110 km/h.

O veículo foi a paixão de universitários, professores, arquitectos, profissionais ligados à cultura e aos meios do espectáculo. Também os jovens entrados nas novas profissões como a publicidade e os meios de comunicação foram potenciais clientes. O 2 CV foi ainda o carro de sempre de famílias mais pobres e pouco numerosas. Serviu para as férias de muitos jovens e de famílias de classe média. Para quem os possui, ainda hoje é o carro de fim-de-semana preferido, sobretudo nos meses mais quentes. Há muito que se tornou numa peça a estimar e a merecer todos os cuidados.

Na lista dos 100 melhores do Século XX

O 2CV entrou na lista dos 100 melhores carros do Século XX, pela combinação das características extraordinárias com simplicidade de construção. O “Dois Cavalos” ombreou com os também míticos Ford T, os Fiat 500 Topolino e 600 Multipla; Lancia Lambda, Aprillia, Aurelia, Fulvia HF e Stratos HF; Talbot-Lago, Lincoln Continental V12 (1940), MG TC, Willys da Jeep, Studebaker, os Volkswagem Beetle (o carocha) e Golf; Renault 4CV, R16, R5 e Espace; os Ferrari 166, 250 GT, 365 GTB 4 Daytona, Lamborghini Miura, os Mercedes-Benz SSK, 300SL (gaivota); os Porsche 356 e 911; o Jensen FF, o Bugatti 57, o Pegaso Z-102, os Jaguar SS100, MKII e Type E; o Mini, o Citroen DS 21 (boca de sapo), NSU RO 80, os BMW 507, 2002 e M3; os Alfa Romeo 6C, 8C, Giulietta, Alfasud; Ford Mustang, AC Cobra, Cadillac Eldorado, Lotus Elan, Chevrolet Corvette Stingray, Nissan Datsun 240 Z, Audi Quattro, Panhard Dina, Aston Martin DB4, Rolls Royce Silver Ghost (1907-1925), De Dion Bouton (1895-1901) ou os Hispano Suiza Alfonso ou H6 que reinaram entre 1913 e 1930. – José Maria Pignatelli


O conceito era simples: Importava conseguir um carro que fosse um chassis com um motor simples pequeno e quatro rodas, tudo por baixo de uma espécie de chapéu que protegesse os ocupantes. Ou seja, fabricar um carro que fosse capaz de substituir a carroça; que fosse capaz de andar sobre terra sulcada; que fosse confortável nas estradas mais irregulares, barato, fácil de manter e económico. A proposta inicial até só tinha um farolim e a cor disponível era apenas o cinzento

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